Tempo, espaço e conhecimento
A jornada ampliada ganha sentido quando organiza intencionalmente o acesso ao conhecimento científico, artístico, cultural e corporal.
4. Educação Integral em Tempo Integral
As Diretrizes para a Educação Integral em Tempo Integral seguem os mesmos fundamentos teóricos assumidos no Currículo para Rede Pública Municipal de Ensino de Cascavel - PR, volume I - Educação Infantil e volume II - Ensino Fundamental - Anos Iniciais, tendo como objetivo o desenvolvimento integral dos alunos. Neste contexto, a Educação Integral em tempo integral, se configura a partir da organização de tempos, espaços e conhecimentos sistematizados considerando os sujeitos envolvidos em todo o processo de ensino e de aprendizagem.
Para compreensão dos pressupostos para Educação Integral em Tempo Integral, enfatiza-se a importância de ter clareza quanto aos conceitos de Educação Integral e de Educação em Tempo Integral, pois embora estejam correlacionados, são distintos, enquanto Educação Integral refere-se ao desenvolvimento integral dos alunos em seu processo formativo, a Educação em Tempo Integral, segundo Libâneo (2014) é uma modalidade de organização escolar que busca aplicar princípios da educação integral, por meio de:
a) ampliação da jornada escolar, geralmente para os dois turnos do dia; b) promoção de atividades de enriquecimento da aprendizagem para além das atividades da sala de aula, incluindo em alguns casos atividades de reforço escolar para alunos com dificuldades de aprendizagem e aumentar o tempo de estudo de todos os estudantes; c) potencializar efeitos de métodos e procedimentos de ensino ativo como estudos do meio, utilização de situações concretas do cotidiano e da comunidade, integrando conteúdos, saberes experienciais dos alunos, arte, cultura; d) provimento de experiências e vivências de diversidade social e cultural seja em relação às diferenças étnicas seja às próprias características individuais e sociais dos alunos; e) integração mais próxima com a família e a comunidade, incluindo a valorização de conhecimentos e práticas da vida em família e na comunidade, isto é, integrar a escolas com outros espaços culturais, envolvendo também parcerias com a comunidade (Libâneo, 2014 p. 266).
Sob essa perspectiva, evidencia-se a necessidade da organização da ampliação da jornada, a qual, deve privilegiar o aproveitamento qualitativo do tempo educativo, no sentido de não ser uma reprodução do ensino que ocorre no período regular, mas sim que apresente práticas pedagógicas que possibilitem a apropriação do conhecimento científico, por meio de situações diferenciadas, desencadeadoras de aprendizagens significativas promotoras do desenvolvimento integral do aluno.
Essa forma de organização institucional fundamenta-se sobre a égide da concepção de Educação Integral, como um conceito ampliado de educação, que:
[...] compreende princípios, ações e procedimentos dentro de uma visão humanista e democrática, que como tal, deveria ser característica de todas as escolas. Desse modo, corresponde à educação integral um amplo conjunto de práticas pedagógicas e ações socioeducativas voltadas para o desenvolvimento das potencialidades do ser humano, que não precisa ser obrigatoriamente realizado numa escola de tempo integral, ainda que se acredite que a extensão de tempo possa ter alguma relevância para a melhoria das aprendizagens. Em qualquer caso, o que importa é a qualidade do uso desse tempo e em que ele é aplicado (Libâneo, 2014, p. 266-267).
Neste viés, as Diretrizes para Educação Integral em Tempo Integral contemplam uma proposta de ensino articulada às áreas do conhecimento, aos componentes curriculares e aos objetivos de aprendizagem, integrando os conhecimentos das ciências e da tecnologia e os saberes sobre a sociedade. Considera o desenvolvimento humano como um processo dialético, em constante movimento e transformação nas diferentes dimensões:
Física: relaciona-se à compreensão do autoconhecimento corporal. Explorando o autocuidado, atenção à saúde e potencializando a prática física e motora.
Emocional ou afetiva: refere-se a capacidade de auto realização, da capacidade de interação com o outro, das possibilidades de auto reinvenção e do sentimento de pertencimento.
Social: refere-se à compreensão das questões sociais, à participação individual no coletivo, ao exercício da cidadania e vida política, ao reconhecimento e exercício de direitos e deveres e responsabilidade para com o coletivo.
Intelectual: refere-se à apropriação das linguagens: oralidade, leitura, escrita, tecnologias, ao exercício da lógica e da análise crítica, à capacidade de acesso e produção de informação, à leitura crítica.
Cultural: diz respeito à apreciação e fruição das diversas culturas, às questões identitárias, à produção cultural em suas diferentes linguagens, ao respeito das diferentes perspectivas, práticas e costumes sociais.
Ao trabalhar com as diferentes dimensões do desenvolvimento humano na Educação Integral em Tempo Integral, preparamos os indivíduos para os desafios e oportunidades do mundo contemporâneo. Por meio da formação crítica, consciente e responsável, os indivíduos se tornam protagonistas da sua própria história e agentes de transformação social.
4.1 Laboratórios para a Educação Integral em Tempo Integral
Ao estruturar as Diretrizes para Educação em Tempo Integral, optou-se fazê-la em formato de Laboratórios, viabilizando os processos de ensino e de aprendizagem, por meio de estratégias metodológicas que possibilitem a relação entre teoria e prática.
O trabalho com os Laboratórios devem oportunizar a troca de experiências e vivências significativas entre os sujeitos no contexto em que se encontram, visando a “integralidade da pessoa humana abarca a intersecção dos aspectos biológico-corporais, do movimento humano, da sociabilidade, da cognição, do afeto, da moralidade, em um contexto tempo-espacial”. (Gatti apud Guará, 2006, p. 16).



