O trabalho pedagógico com o componente curricular Educação Física, no contexto da Educação do Campo, deve garantir aos alunos o acesso aos conhecimentos relacionados à cultura corporal e suas diversas manifestações, compreendidas como construções históricas, sociais e culturais dos diferentes grupos humanos. As práticas corporais, como jogos, brincadeiras, danças, esportes, lutas, ginásticas e atividades de aventura, devem ser abordadas em sua dimensão crítica e significativa, articulando-se com os modos de vida, saberes e territórios dos povos do campo. Para isso, é necessário que a organização do trabalho pedagógico dialogue intencionalmente com os Eixos Temáticos da Educação do Campo, possibilitando que os alunos compreendam as práticas corporais como expressão da vida social e atuem de forma consciente e transformadora sobre a realidade em que vivem.
Na Educação Infantil, o ensino da Educação Física deve garantir vivências corporais que favoreçam a expressão, o movimento, a ludicidade e a socialização, respeitando as particularidades do desenvolvimento infantil e as características das infâncias camponesas. As práticas devem promover o contato com o ambiente natural e com a cultura local, valorizando as brincadeiras tradicionais, os jogos de roda, as danças populares, os movimentos livres e dirigidos. Tais experiências contribuem para a formação da corporeidade, o fortalecimento da identidade e o desenvolvimento de habilidades motoras e sociais, considerando o território como espaço educativo e cultural.
No Ensino Fundamental – Anos Iniciais, a Educação Física deve possibilitar aos alunos a apropriação crítica das práticas corporais como objetos de estudo e como formas de expressão cultural e política. O ensino deve promover a análise das origens, significados e funções sociais das diferentes manifestações da Cultura Corporal, contextualizando-as historicamente e relacionando-as às condições concretas de vida no campo. A valorização das práticas corporais da comunidade, o acesso a novos repertórios e a reflexão sobre temas como saúde, lazer, trabalho e desigualdades sociais contribuem para a formação de sujeitos críticos, autônomos e ativos na transformação de sua realidade. Nesse sentido, a Educação Física pode ser potente instrumento de fortalecimento da identidade camponesa, da cooperação, da solidariedade e pertencimento.



