O trabalho pedagógico com o componente curricular Ciências, no contexto da Educação do Campo, deve garantir aos alunos a apropriação dos conhecimentos científicos historicamente produzidos, articulando-os às formas de vida, trabalho, organização social e cultura dos povos do campo. Compreendendo a ciência como construção humana e histórica, é fundamental que sua abordagem nas instituições de ensino do campo promova a leitura crítica da realidade e a compreensão das interações entre natureza e sociedade. Essa proposta exige a articulação intencional entre os conteúdos curriculares e os eixos temáticos da Educação do Campo, de modo a assegurar que os alunos compreendam os fenômenos naturais e sociais em sua totalidade, como parte de processos dinâmicos que envolvem contradições, transformações e possibilidades de intervenção consciente.
Na Educação Infantil, o ensino de Ciências deve oportunizar o desenvolvimento da curiosidade, da observação e da experimentação por meio de experiências que envolvam os elementos da natureza presentes no cotidiano das crianças camponesas. As interações com plantas, animais, água, solo, clima e ciclos naturais devem ser exploradas a partir da realidade do campo, valorizando os saberes das famílias, os modos de viver e produzir, e promovendo o respeito à vida e ao ambiente. As práticas pedagógicas devem incentivar a escuta, a investigação, o cuidado e a percepção dos fenômenos naturais de forma sensível e contextualizada, fortalecendo o vínculo com o território e a consciência ambiental desde os primeiros anos.
No Ensino Fundamental – Anos Iniciais, o ensino de Ciências deve promover a compreensão das relações entre os fatores bióticos e abióticos, a ação humana sobre a natureza e o papel do trabalho na transformação dos ecossistemas. Os conteúdos devem ser organizados de forma a favorecer o pensamento crítico, a alfabetização científica e o entendimento da ciência como instrumento para a leitura e transformação do mundo. Nas escolas do campo, esse processo ganha potência quando parte das práticas e saberes das comunidades camponesas – como a agricultura, o uso sustentável dos recursos naturais, os cuidados com a saúde e a alimentação –, articulando os conhecimentos escolares com a realidade local, e promovendo a consciência socioambiental, a valorização da biodiversidade e o protagonismo dos sujeitos do campo na construção de alternativas sustentáveis.



