O processo de avaliação das aprendizagens de Computação, assim como orientam os demais volumes do Currículo para a Rede Pública Municipal de Ensino de Cascavel para os outros componentes curriculares (Cascavel, 2020a, 2020b, 2020c, 2024), deve se configurar como uma prática contínua, diagnóstica e processual, articulada ao desenvolvimento integral dos alunos e à construção de conhecimentos. Nesse sentido, a avaliação não se reduz à aferição de resultados pontuais ou à verificação de habilidades técnicas específicas, mas compreende o acompanhamento reflexivo das aprendizagens, com foco na progressiva apropriação dos objetivos que integram os eixos Pensamento Computacional, Mundo Digital e Cultura Digital.
Ao reconhecer a Computação como área do conhecimento comprometida com a resolução de problemas, a criatividade, o raciocínio lógico, a ética digital e a compreensão crítica do mundo digital, a avaliação precisa considerar tanto os processos quanto os produtos das práticas desenvolvidas. Assim, valoriza-se o percurso de aprendizagem dos alunos, suas formas de participação, os modos como constroem soluções e interagem em situações colaborativas, bem como suas reflexões sobre o uso consciente e responsável das tecnologias.
Além disso, é importante destacar que os três eixos estruturantes da Computação — Pensamento Computacional, Mundo Digital e Cultura Digital — atuam de forma integrada e complementar contribuindo para que o aluno amplie seus conhecimentos. Essa articulação possibilita que os alunos compreendam não apenas os fundamentos técnicos e operacionais das tecnologias, mas também desenvolvam uma postura crítica e ética diante da sua utilização, reconhecendo sua função ativa e transformadora no mundo.
Ao vivenciar as práticas pedagógicas que contemplam esses eixos de maneira conjunta, o aluno é incentivado a perceber como a Computação se manifesta em sua vida cotidiana e em diferentes áreas do conhecimento, tornando-se capaz de intervir, solucionar problemas, inovar e colaborar em contextos variados. Essa apropriação favorece a construção de conceitos que transcendem o ambiente escolar e promovem o desenvolvimento integral, fortalecendo competências essenciais para a sua formação cidadã, acadêmica e profissional.
Para isso, sugerem-se diferentes instrumentos avaliativos que favoreçam uma abordagem plural e integradora, como portfólios de aprendizagem, nos quais os alunos possam registrar suas produções, experimentações, reflexões e evoluções ao longo das atividades, tornando visível o processo formativo. Orienta-se o acompanhamento contínuo por meio de observações sistemáticas e devolutivas formativas, oferecendo subsídios para que os alunos reconheçam seus avanços, revejam estratégias e ampliem suas aprendizagens. O objetivo é identificar os conhecimentos em construção, os desafios enfrentados, os avanços obtidos e as potencialidades de cada aluno. Tais evidências subsidiam o redimensionamento das estratégias pedagógicas, contribuindo para a superação das dificuldades e o aprofundamento das aprendizagens.
Especificidades de cada etapa e modalidade
Além disso, é necessário considerar as especificidades no processo avaliativo. Dessa forma, na Educação Infantil é preciso priorizar a observação sistemática das interações das crianças em jogos, brincadeiras e demais práticas desplugadas. O profissional da educação deve registrar não apenas os produtos finais, mas, sobretudo, as expressões, gestos, falas e formas de participação, valorizando o percurso de aprendizagem e o desenvolvimento de cada criança. Esses registros podem incluir anotações descritivas, fotografias e vídeos, que documentem o percurso das aprendizagens e a consolidação dos objetivos previstos para os diferentes eixos.
Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, podem ser utilizados portfólios digitais ou físicos para que os alunos registrem suas produções, como práticas para o desenvolvimento do Pensamento Computacional plugado ou desplugado, a criação de apresentações digitais e o registro de práticas relacionadas aos diferentes objetivos de aprendizagem de cada um dos eixos estruturantes. Além disso, é importante complementar com observações e avaliações formativas durante as práticas, trabalhos em grupo que envolvam resolução de problemas e autoavaliações que mobilizem a reflexão sobre o próprio aprendizado.
Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), a avaliação deve considerar práticas que valorizem o conhecimento prévio e a experiência dos alunos. Como exemplo, acompanhar a utilização de tecnologias digitais para organização pessoal ou profissional, navegação consciente no mundo digital. Sugere-se promover debates e produções textuais, incluindo os gêneros discursivos da cultura digital, que envolvam a ética no uso das tecnologias e o impacto da Computação na vida cotidiana, além de acompanhamento reflexivo contínuo e discussões coletivas para compartilhar desafios e estratégias de superação. Os registros dessas práticas podem ser organizados em portfólios digitais, utilizando plataformas colaborativas que favoreçam o acesso, a devolutiva e a continuidade do processo formativo.
Formas de registro
Nesse contexto a avaliação na Educação Infantil se dará por meio de parecer descritivo, considerando que nessa etapa a avaliação assume caráter diagnóstico, processual e contínuo, orientada pela observação atenta, pelo registro e pela reflexão sobre as experiências vivenciadas pelas crianças, conforme preconiza o Currículo para Rede Pública Municipal de Cascavel da Educação Infantil (Cascavel, 2020a). Nessa perspectiva, o parecer descritivo possibilita registrar o processo de aprendizagem, respeitando as singularidades do desenvolvimento infantil.
No 1º e 2º anos do Ensino Fundamental, considerando o processo de transição da Educação Infantil para os Anos Iniciais, preserva-se a centralidade do acompanhamento do processo de aprendizagem, de modo a sustentar intervenções pedagógicas oportunas e coerentes com o desenvolvimento dos alunos, especialmente em componentes curriculares envolvidos por exploração, experimentação, resolução de problemas e construção gradual de conceitos, como é o caso da Computação. Adota-se portanto, também o parecer descritivo, visto que favorece uma compreensão mais ampla do percurso de aprendizagem.
Referente aos 3º, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, mantém-se a mesma orientação diagnóstica, processual e contínua (Cascavel, 2020b), por envolver processos cognitivos desenvolvidos por meio de atividades investigativas, resolução de problemas, práticas desplugadas, trabalho colaborativo e reflexão crítica. Dessa forma, a avaliação seguirá os critérios de assiduidade, participação e envolvimento dos alunos, com registro em consonância com os instrumentos avaliativos vigentes e alinhado às práticas já adotadas nos demais componentes da parte diversificada do Currículo para Rede Pública Municipal de Ensino de Cascavel, entendendo-se a avaliação como um processo diagnóstico, contínuo e orientador da prática pedagógica, que prioriza o acompanhamento do processo de aprendizagem e não apenas a aferição de seus resultados finais (Cascavel, 2020b). A avaliação, portanto, deve valorizar o percurso de aprendizagem e o engajamento dos alunos nas situações propostas, reconhecendo que a participação nas experiências didáticas constitui condição relevante para a efetivação dos objetivos de aprendizagem da Computação.
Ressalta-se a importância do acompanhamento pedagógico do desenvolvimento dos alunos, uma vez que o trabalho docente contempla observações sistemáticas, registros qualitativos e intervenções pedagógicas contínuas, que subsidiam o planejamento e a reorganização das práticas educativas.
Assim, a avaliação deste componente curricular na Rede Pública Municipal de Ensino de Cascavel, reafirma o compromisso com a formação integral e com o desenvolvimento de sujeitos críticos, criativos e éticos, preparados para compreender e interagir no universo digital de modo responsável.



