Avaliar para reorganizar o ensino
Diagnóstica
Identifica conhecimentos já apropriados e necessidades de mediação.
Contínua
Acompanha os processos de ensino, aprendizagem e desenvolvimento.
Mediadora
Orienta intervenções, devolutivas e reorganização do ensino.
6. Avaliação
A Avaliação da aprendizagem, nesta Diretriz para a Educação Integral em Tempo Integral, assume a concepção adotada no Currículo para Rede Pública Municipal de Ensino de Cascavel - PR, volume I - Educação Infantil e volume II - Ensino Fundamental - Anos Iniciais, considerando os pressupostos da Teoria Histórico-Cultural e da Pedagogia Histórico-Crítica.
Nesta perspectiva a avaliação não é apenas um ato de medição de conhecimentos adquiridos ao longo de um determinado período letivo, mas uma ação de análise dos processos de ensino e de aprendizagem. A avaliação é parte integrante de um movimento contínuo de ensinar e de aprender, no qual tanto as ações docentes, quanto as discentes são observadas e consideradas para compreender os resultados encontrados. A partir dessa concepção de avaliação, é importante definir, então, o que avaliar e como avaliar os processos mencionados.
Como definir “o que avaliar” no processo de ensino e de aprendizagem do aluno da Educação Integral em Tempo Integral? Tomando como critérios os objetivos de aprendizagem. Dessa forma, é necessário refletir, primeiramente, sobre o que se pretende promover no aluno da Educação Integral em Tempo Integral, ou seja, qual a principal finalidade formativa.
Essa reflexão busca pôr em prática os princípios da educação integral, ou seja, a formação omnilateral do sujeito. Essa prática ocorre por meio da sistematização de atividade físicas, culturais, intelectuais, emocionais e sociais, expressões subjetivas do conhecimento produzido sobre os fenômenos naturais e culturais, que potencializam a ação consciente do sujeito na realidade em que vive. Assim, é imprescindível compreender a finalidade nuclear do ensino dos conteúdos e os objetivos de aprendizagens que direcionam tanto as ações do plano de ensino, como as ações de avaliação dos resultados desse processo, permitindo ao professor não apenas olhar para a aprendizagem da criança, mas também rever suas ações de ensino e refletir sobre as mesmas, reorganizando-as, a fim de promover o desenvolvimento integral do aluno.
A avaliação envolve princípios que visam promover o progresso contínuo do desenvolvimento do que o aluno já domina de forma autônoma (desenvolvimento real) e o que realiza com o apoio do professor (zona de desenvolvimento potencial). Portanto, o papel do professor na avaliação, é ativo, fornecendo suporte proporcionalmente reduzido à medida que a criança adquire novos conhecimentos. Esse suporte é fundamental para auxiliar a criança a avançar em sua zona de desenvolvimento potencial. Nesta direção
[...] o que uma criança é capaz de fazer com o auxílio dos adultos chama-se zona de seu desenvolvimento potencial. Isto significa que, com o auxílio deste método, podemos medir não só o processo de desenvolvimento até o presente momento e os processos de maturação que já se produziram, mas também os processos que estão ainda ocorrendo, que só agora estão amadurecendo e desenvolvendo-se [...] O que a criança pode fazer hoje com o auxílio dos adultos poderá fazê- lo amanhã por si só. A área de desenvolvimento potencial permite-nos, pois, determinar os futuros passos da criança e a dinâmica do seu desenvolvimento e examinar não só o que o desenvolvimento já produziu, mas também o que produzirá no processo de maturação (Vigotski, 2001, p.113).
O papel ativo do professor na zona de desenvolvimento potencial permite ir além das avaliações tradicionais e rígidas de aprendizagem da criança, pois oportuniza que observe e reflita sobre os resultados de suas próprias ações. A devolutiva para os alunos configura-se como um momento construtivo e voltado para o desenvolvimento, discutindo as formas de superação dos seus limites e destacando o progresso já adquirido pela criança.
Dessa forma, a avaliação envolve análises contínuas e interativas durante todo o processo de aprendizagem e de desenvolvimento, não somente ao final de uma etapa. Isso permite que o professor ajuste suas ações conforme o progresso e as necessidades da criança. Hoffmann (2009) denomina esse papel ativo no processo avaliativo de ‘avaliação mediadora’, como uma proposta que visa superar a fragmentação e o isolamento das ações de ensinar, avaliar e atribuir notas ao processo e ao resultado do desenvolvimento do aluno.
Observa-se, portanto, que os professores que atuam na Educação Integral em Tempo Integral deverão subsidiar o processo avaliativo, nos princípios da Teoria Histórico-Cultural e da Pedagogia Histórico-Crítica, que entendem o aluno como sujeito social, portanto, sua aprendizagem e seu desenvolvimento estão vinculados às interações com o conhecimento produzido pela humanidade. Assim, a sistematização do ensino e da avaliação está direcionada às atividades físicas, culturais, intelectuais, emocionais e sociais, ou seja, aos instrumentos simbólicos que orientam o pensamento e a ação dos sujeitos, na realidade vivenciada, buscando torná-los conscientes e autônomos.
Partindo dessa compreensão, é preciso selecionar e utilizar os instrumentos avaliativos adequados às finalidades, em um trabalho coletivo e colaborativo entre professores e profissionais que possuem o mesmo objetivo educacional, a formação integral do aluno. Reafirmamos que, a avaliação deve estar atrelada à concepção de educação, de desenvolvimento humano e aos objetivos de aprendizagem, elencados em cada Laboratório, que trará também as suas contribuições e as suas especificidades para a sistematização da prática docente, fundamental para o processo de ensino e de aprendizagem.



