O ensino de História na Educação do Campo deve se ancorar na compreensão de que os sujeitos são protagonistas de sua própria história. Sob a perspectiva da “História vista de baixo”, tal ensino deve reconhecer os saberes e as experiências das populações camponesas como parte integrante da construção histórica da sociedade. A História, nesse contexto, torna-se um instrumento para a leitura crítica da realidade, permitindo aos alunos compreenderem sua trajetória enquanto classe social.
Partindo da realidade concreta e da historicidade dos sujeitos do campo, o ensino de História deve assegurar que nos encaminhamentos teórico-metodológicos, os conteúdos curriculares estejam articulados aos eixos temáticos da Educação do Campo, no sentido de valorizar os processos de resistência e transformação coletiva. Assim, o componente curricular se compromete com uma prática educativa crítica e emancipadora.
Na Educação Infantil, o ensino de História deve promover vivências que favoreçam a apropriação gradativa das noções de tempo, memória e identidade. Por meio da oralidade, das tradições, das festas, das histórias contadas e da análise de objetos, as crianças são incentivadas a reconhecer e valorizar suas origens, o território em que vivem e os modos de vida de sua comunidade. O ensino deve ser organizados para que as crianças vivenciem noções temporais vividas, percebidas e concebidas; reconheçam diferenças e semelhanças entre objetos, modos de vida e acontecimentos; relacionem fatos pessoais e coletivos a marcos temporais e compreendam objetos como vestígios de atividades humanas.
Para o Ensino Fundamental - Anos Iniciais, o ensino de História deve possibilitar aos alunos compreender-se como sujeitos históricos, relacionando passado e presente a partir de fontes diversas e da análise crítica da realidade. A partir da experiência concreta e das memórias das comunidades, o estudo da História deve articular processos locais, regionais, nacionais e globais, visando à compreensão da totalidade social, possibilitando valorizar as memórias e resistências das comunidades camponesas; articular vivências e conteúdos escolares; utilizar diferentes fontes históricas (orais, escritas, visuais e materiais); trabalhar as categorias do pensamento histórico e superar práticas baseadas apenas na memorização, promovendo também a problematização.



